LíviaO jantar acaba. A última porção da comida sofisticada do restaurante, que Arthur insistiu que eu comesse, desce com um peso estranho, uma mistura de alívio e a antecipação do que virá. O silêncio na cozinha não é vazio; é pesado, uma coisa densa que pulsa entre nós, carregada de palavras não ditas e desejos reprimidos. Arthur se levanta, e a sombra dele engole o espaço, projetando-se sobre mim como um presságio. Ele me olha, e a intensidade do seu olhar rouba o ar dos meus pulmões, me prende. Sem uma palavra, ele agarra minha mão, os dedos fortes envolvendo os meus, e num movimento rápido, me puxa para cima. Meus pés saem do chão, um choque elétrico percorre meu corpo. Eu estou na órbita dele, sem escolha, sem resistência.O beijo dele não é um convite, é uma invasão. Não há vestígio de gentileza, de carinho, apenas a fúria contida de um homem que esperou demais, que foi desafiado. As mãos, que antes me seguram pelo pescoço, descem pelas minhas costas, me esmagando contra o corp
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