Heloísa
Sete dias depois da alta do meu pai, eu já mapeei todos os horários de Heitor.
Não de propósito. Ou talvez de propósito, mas disfarçado de lógica doméstica — a forma mais honesta de mentir para si mesma que eu conheço. Ele chega às dezoito horas quando vem jantar, o que acontece quatro vezes por semana porque meu pai pediu, porque meu pai não sabe, porque meu pai não pode saber.
Entra pela porta da frente, cumprimenta minha mãe passa pela sala onde meu pai assiste televisão com o volume