MAYAO som da tranca da porta do quarto ecoou como um disparo de misericórdia. Do outro lado, o silêncio da cobertura de Arthur — não, de Arthur Valente — parecia uma fera à espreita. Eu me encostei na madeira fria, sentindo o ar fugir dos meus pulmões. Olhei ao redor, para aquele espaço que, horas atrás, eu chamava de refúgio.Agora, o luxo me causava náusea.As paredes revestidas de seda, o lustre de cristal que fragmentava a luz como diamantes lapidados e, principalmente, o mármore do chão. Eu olhava para os veios acinzentados da pedra e não via mais sofisticação; eu via o desenho de rios de sangue. Quantas vidas foram esmagadas para que Heitor Valente pudesse construir esse chão? Quantos sacrifícios foram feitos para que o herdeiro pudesse usar moletons caros poder e fingir ser um "ninguém"?Uma pergunta amarga subiu pela minha garganta, queimando como bile: Será que o que eu sinto por Arthur é carma?Será que o destino, em sua ironia mais perversa, me fez apontar para aquele home
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