MAYA
O silêncio do closet era espesso, carregado de uma tensão que parecia drenar todo o oxigênio do ambiente. Eu estava parada à porta, com os pés descalços afundando no tapete felpudo, sentindo um frio que não vinha do ar-condicionado, mas das palavras que acabaram de escapar dos lábios de Arthur.
"Se a Maya descobrir, esse casamento não sobrevive ao amanhecer."
Minha respiração travou. O homem que, horas atrás, me lavava com uma ternura quase sagrada sob o chuveiro, agora falava com a frieza