HEITOR VALENTEO som do choro de um recém-nascido era, sem dúvida, um dos ruídos mais irritantes que a biologia humana já havia criado. Mas, naquela tarde, vindo do quarto dos fundos daquela propriedade isolada no alto da colina, o choro abafado pela porta de isolamento acústico não me incomodava. Para mim, cada lampejo de ar que saía daqueles pulmões minúsculos tinha o som exato de notas sendo emitidas. Era o som de vinte milhões de dólares caindo, dígito por dígito, na minha conta encriptada em Zurique.Arthur achava que governava o mundo de sua cadeira de couro na Valente Corp, mas ele havia esquecido quem fora o arquiteto original daquela dinastia. Ele achava que a tecnologia moderna e os seus cães de guarda privados podiam blindá-lo contra o próprio sangue. Que tolice. Na calada da madrugada, bastou uma brecha, a ganância de Sônia, uma enfermeira de quinta categoria, para que o futuro da linhagem dele fosse transferido diretamente para o meu território.Meu fluxo de pensamentos f
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