HEITOR VALENTE
O som do choro de um recém-nascido era, sem dúvida, um dos ruídos mais irritantes que a biologia humana já havia criado. Mas, naquela tarde, vindo do quarto dos fundos daquela propriedade isolada no alto da colina, o choro abafado pela porta de isolamento acústico não me incomodava. Para mim, cada lampejo de ar que saía daqueles pulmões minúsculos tinha o som exato de notas sendo emitidas. Era o som de vinte milhões de dólares caindo, dígito por dígito, na minha conta encriptada