MAYAO silêncio do quarto de hospital tinha um peso diferente daquele que nos sufocou nos últimos dias. Não era mais o silêncio do medo absoluto, daquela expectativa cruel que faz o peito doer a cada respiração; era o silêncio sagrado da vida se restabelecendo, gota a gota, naquele ambiente asséptico. A luz do fim de tarde entrava de lado pela janela, pintando as paredes de um tom dourado e suave, quase como se o próprio universo estivesse pedindo desculpas pela tempestade que armou lá fora.Eu estava sentada no leito, com as costas apoiadas nos travesseiros macios, sentindo o calor miúdo de Stella contra o meu peito. Ela mamava com uma determinação silenciosa, os olhinhos firmemente fechados, a mãozinha minúscula com unhas perfeitas espalmada contra a minha pele, como se quisesse garantir que eu não sumiria dali. A cada sucção dela, eu sentia um puxão de puro amor e alívio, uma conexão que só quem gera sabe como é profunda.Ao lado da cama, no bercinho de acrílico transparente do hos
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