MAYA
O turno da madrugada na MegaBurger sempre foi o meu purgatório particular. O relógio de parede, engordurado e barulhento, marcava 3h30 da manhã. O som rítmico da fritadeira e o cheiro onipresente de óleo de fritura pareciam estar impregnados na minha pele, no meu cabelo e até nos meus pensamentos. Meus pés latejavam dentro dos tênis gastos, e cada fibra do meu corpo clamava por um descanso que parecia nunca chegar.
Eu tentava focar em limpar o balcão de fórmica, movendo o pano em círculos