Quando estacionei em frente de casa, o sol já começava a descer no céu e, pela primeira vez desde que aceitei aquele trabalho, senti de verdade que estava deixando minha vida para trás.Passei alguns segundos parada dentro do carro, as mãos ainda apoiadas no volante, olhando para a fachada simples da casa onde cresci. A luz dourada do fim de tarde cobria a rua inteira e, em qualquer outro dia, aquilo teria parecido bonito. Tranquilo. Reconfortante até. Mas naquele momento tudo parecia calmo demais, distante demais do turbilhão que eu carregava por dentro.Passei quase toda a tarde no hospital. Sentada ao lado da cama do meu pai, segurando a mão dele enquanto falava de coisas pequenas, banais até. Coisas do dia a dia. Como se conversar sobre qualquer assunto comum pudesse tornar aquela decisão menos pesada.Em algum momento eu contei.Falei da viagem. Do trabalho. De Nova York.A palavra ainda parecia grande demais para caber dentro da minha vida.Segurei a mão dele com mais força naqu
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