Ruby Le BlancNaquela manhã, pela primeira vez, a sala era oficialmente minha.Ainda parecia estranho pensar nisso. O vidro amplo deixava entrar uma luz suave, quase clínica, que iluminava as plantas virtuais abertas no monitor — protótipos, estudos de design, variações de textura e cor que eu analisava com atenção verdadeira. Eu estava trabalhando. De verdade. Não como figurante, não como herdeira incômoda, mas como alguém que tinha algo a entregar.E, ainda assim, meu peito estava inquieto.Talvez fosse o silêncio. Talvez fosse o fato de que, por mais que tudo estivesse andando para frente, alguma coisa dentro de mim continuava parada, esperando algo que eu fingia não precisar.— Ruby? — a voz de Sophie veio pelo interfone. — O senhor Sinclair está aqui para vê-la.Pisquei algumas vezes, surpresa.O senhor Sinclair.Meu coração acelerou num reflexo involuntário. Não ansiedade, não expectativa romântica — mais uma curiosidade alerta, como quem não sabe exatamente o que esperar, mas d
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