Eu nunca pensei que uma sala branca pudesse carregar tanto peso.O cheiro de antisséptico era forte, quase cortante, grudando no fundo da garganta. As paredes eram limpas demais, silenciosas demais, como se qualquer emoção ali fosse um erro. Eu estava deitada naquela maca, a blusa erguida, o gel frio espalhado na minha barriga, enquanto a médica deslizava o aparelho com movimentos precisos.Axel estava ao meu lado.Em pé, como sempre.Impecável, como sempre.Mas eu já sabia reconhecer quando algo não estava sob controle — e ali, naquele momento, não estava.O maxilar dele estava travado.As mãos, embora firmes, estavam tensas demais.E o silêncio…O silêncio dizia tudo.Eu tentei focar na tela.Aquelas formas em preto e branco, tremidas, difíceis de entender. Era estranho pensar que ali dentro de mim existia… alguém. Ou melhor… alguma coisa que ainda estava se formando, crescendo, ganhando forma.Meu coração batia mais rápido.— Está tudo bem? — perguntei, sem conseguir esconder a ans
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