Pietro CavalliniEu estava encostado na porta do apartamento da Fernanda, equilibrando duas caixas de pizza escaldantes em uma mão e uma sacola com um vinho caro na outra. O corredor estava silencioso, mas eu sabia que, do outro lado daquela madeira, a Vasques estava tentando regular a respiração.— Vamos lá, Vasques! Abre essa porta! — bati com o nó dos dedos, mantendo o tom sarcástico de sempre. — Eu trouxe a de calabresa com borda recheada, aquela que faz qualquer amnésia valer a pena. Não adianta fingir que virou uma entidade gasosa e evaporou, eu vi você entrando no prédio com aquela roupa de ginástica que... bom, digamos que ela não favorece o anonimato.Silêncio.— Fernanda? A pizza está suando dentro da caixa. Se a massa ficar borrachuda, a culpa é inteiramente do seu complexo de esquiva. Abre logo ou eu começo a cantar ópera aqui no corredor!Ouvi o clique da fechadura. A porta se abriu devagar, mas não foi o furacão de sarcasmo que eu esperava. Foi a Clara quem abriu, e o ro
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