Pietro CavalliniO bipe do monitor mudou.Não foi um alarme de emergência, não foi o som metálico da morte que eu ouvi semanas atrás. Foi um ritmo apressado, vivo, galopante. Meus olhos, que estavam colados nas minhas próprias mãos entrelaçadas às dela, subiram num solavanco.As pálpebras da Fernanda tremeram. Uma, duas vezes. E então, como se vencessem uma resistência de toneladas, elas se abriram.O castanho dos olhos dela apareceu diante de mim depois de trinta dias de inferno.Trinta dias implorando.Trinta dias falando sozinho.Trinta dias pedindo, negociando, ameaçando o universo como um homem à beira da loucura.Ela estava acordada.Mas não havia o brilho de reconhecimento. Não havia a faísca da "vizinha maluca". Não tinha raiva, provocação, ironia, nada. Havia uma névoa, uma confusão líquida que me fez congelar na poltrona.— Oi... — minha voz saiu num sopro quebrado, trêmulo, ridículo de tão emocionado. — Você voltou. Você voltou pra mim, Vasques.Tentei sorrir.Tentei mesmo.
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