Fernanda VasquesO escuro do apartamento parecia ganhar formas retorcidas. No meu sonho, eu ainda estava naquele carro, o cheiro de vinho e o hálito metálico do Fred me sufocando, as mãos dele me prendendo enquanto o mundo girava. Eu tentava gritar, mas a voz não saía.Acordei com um solavanco, o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado. Meus olhos se abriram no escuro, e por um segundo, eu não sabia onde estava. O pânico subiu pela minha garganta, quente e ácido.— Ei, ei... Vasques, olhe para mim.A voz dele. Grave, firme, como uma âncora me puxando de volta daquele abismo. Senti as mãos grandes do Pietro nos meus ombros, me estabilizando.— Eu estou aqui. Sou eu, o Pietro. Foi só um pesadelo, linda. Só um pesadelo.Pisquei, as lágrimas de terror ainda embaçando minha visão. Foquei no rosto dele, iluminado apenas pela luz fraca que vinha da rua. Sem pensar, eu me atirei contra ele. Enterrei meu rosto no seu pescoço e respirei fundo. O cheiro dele — aquele perfu
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