Cláudia não gostava de surpresas.Nunca gostou.E, ao longo dos anos, aprendeu a evitar cada uma delas com precisão quase obsessiva.Tudo sob controle.Sempre.Por isso, quando o telefone tocou naquela manhã, ela atendeu no segundo toque.Sem pressa.Sem ansiedade.— Alô?Do outro lado, a voz veio baixa. Contida.Mas carregada.— Eles foram.Cláudia não respondeu de imediato.Apenas virou lentamente na cadeira, olhando pela janela do escritório.— Quem?— Arthur… e a garota.Um silêncio.Curto.Perigoso.Os dedos dela bateram uma vez na mesa.Secos.— Onde?— Delegacia.Agora sim.Um pequeno sorriso surgiu no canto da boca de Cláudia.Mas não era de humor.Era de cálculo.— Demoraram.Helena respirou do outro lado.— Eu avisei que ela tinha mudado.— Todo mundo muda — Cláudia respondeu, tranquila. — A diferença é o que fazem com isso.Ela se levantou devagar.Andando até a estante.Passando os dedos pelos livros como se estivesse escolhendo qualquer coisa banal.Mas a mente já trabalh
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