Andar pela cidade nunca foi um problema para mim. Mas naquele dia, cada passo parecia mais pesado. Cada rua, cada esquina, cada olhar cruzado com um estranho me fazia pensar: “E se ela estiver ali?” O celular vibrava sem parar no bolso, mas eu não olhei. Não ainda. Meu foco era ela. Sempre ela. A praça parecia tranquila, como se o mundo não soubesse o que estava acontecendo. Mas eu sabia. Sabia que alguém a tinha encontrado antes de eu conseguir. Ricardo. E meu coração apertou. Virei a esquina e vi uma movimentação na frente da lanchonete. Ele estava lá. Impecável, confiante, a imagem exata de perigo controlado. E por um segundo, por um instante que durou menos de um batimento de coração, eu tive certeza de que tinha chegado tarde. Ela estava sozinha, e ele estava ali. Mas então a vi. Alice. O corpo tenso, os olhos atentos, o modo como respirava rápido mas tentava manter a postura calma. Ela não sabia se podia confiar nele, se podia respirar, se podia escapar sem que el
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