Cláudia não gostava de surpresas.
Nunca gostou.
E, ao longo dos anos, aprendeu a evitar cada uma delas com precisão quase obsessiva.
Tudo sob controle.
Sempre.
Por isso, quando o telefone tocou naquela manhã, ela atendeu no segundo toque.
Sem pressa.
Sem ansiedade.
— Alô?
Do outro lado, a voz veio baixa. Contida.
Mas carregada.
— Eles foram.
Cláudia não respondeu de imediato.
Apenas virou lentamente na cadeira, olhando pela janela do escritório.
— Quem?
— Arthur… e a garota.
Um silêncio.
Curto.