Lorena AzevedoO sol de BH entrou timidamente pela fresta da cortina, mas, para mim, ele parecia carregar um presságio cinzento. Acordei com aquela sensação estranha de que o mundo tinha mudado enquanto eu dormia. Levantei devagar, o corpo ainda guardando a memória do toque do Rafael do dia anterior, e comecei a minha rotina. Preparei o café, sentindo o aroma do grão fresco preencher a cozinha, e fui acordar o Miguel. Ele resmungou, como todo menino da idade dele, mas logo foi para o banho, preparando-se para mais um dia de escola.Depois, entrei no quarto da Vitória. Ela ainda dormia, um anjo de cabelos castanhos espalhados pelo travesseiro, a respiração tão leve que eu precisava me inclinar para ouvir. Ela era o meu tesouro, a parte mais pura de toda essa história conturbada. Olhando para ela, senti um aperto no peito. Tomei meu banho, vesti meu uniforme da cafeteria e voltei para a cozinha para colocar o café do Miguel.Foi quando a porta se abriu num estrondo. Tati entrou com os
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