Rafael Ventura Eu não conseguia ficar parado. Meus passos eram pesados, ritmados, medindo cada palmo daquele chão imundo da cela. O espaço era mínimo, três passos para lá, três passos para cá. O ar era pesado, com aquele cheiro característico de delegacia: uma mistura de desinfetante barato, papel velho e o rastro deixado por homens que, ao contrário de mim, tinham motivos para temer a lei. De um lado para o outro, como um animal que acaba de perceber que as grades são reais. A visita da Lorena tinha me deixado em um estado de combustão interna. Por um lado, a visão dela, o toque dela e aquele perfume de baunilha foram o único momento em que eu senti que ainda estava vivo; por outro, a fúria me cegava por saber que ela teve que pisar em um lugar como este.A Lorena não pertence a esse mundo de crime, de cheiro de urina e de policiais mal encarados. Ela é luz, e vê-la atrás daquelas grades, chorando por mim, foi como levar um soco no estômago que eu não podia revidar. Mas, apesar da r
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