Rafael Ventura Abri os olhos devagar, sentindo o peso do sono mais revigorante que tive em meses. O sol de BH já começava a querer entrar pelas frestas da janela, desenhando linhas douradas pelo quarto. Antes de qualquer coisa, senti o calor. Lorena estava aninhada ao meu lado, a respiração ritmada e profunda de quem finalmente encontrou descanso.Fiquei ali, imóvel, apenas admirando. Como eu senti falta disso... De acordar e ter essa mulher dormindo ao meu lado, com o rosto sereno e os cabelos espalhados pelo travesseiro como uma moldura de seda. Por um momento, esqueci quem eu era, esqueci as dívidas, a fazenda e as brigas. Ali, eu era apenas um homem completo.Levantei com cuidado para não despertá-la. Fui ao banheiro, deixei a água morna tirar o resto de cansaço dos meus músculos, mas não o cheiro dela que parecia ter impregnado na minha alma. Saí enrolado na toalha, caminhei até a sala onde minhas roupas estavam espalhadas pelo chão — um rastro da nossa urgência da noite anterio
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