Rafael Ventura Quinze dias.Parecia que uma eternidade tinha se passado desde que estacionei o carro naquela clínica pela primeira vez, com o coração saindo pela boca e o medo de perder a minha filha me cegando. Mas hoje, o cheiro de hospital tinha ficado para trás. O som dos bips foi substituído pelo silêncio sagrado do quarto de bebê na pousada da Dona Zezé.Eu estava parado, com as mãos nos bolsos, apenas observando. A Vitória dormia no berço, um pacotinho minúsculo envolto em uma manta cor-de-rosa, a respiração calma, o peito subindo e descendo com a força de quem venceu a morte. Olhar para ela era como olhar para o meu próprio redimimento. Cada detalhe do seu rosto, cada movimento involuntário das suas mãozinhas, me lembrava de que, apesar de todos os meus erros, a vida tinha me dado o presente mais precioso de todos.Senti um olhar sobre mim. Virei o rosto devagar e vi a Lorena encostada no batente da porta. Ela estava com um vestido leve, o cabelo preso em um coque despojado,
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