Lorena AzevedoFaz dois dias que o silêncio daquela casa em Santa Teresa foi preenchido pelo eco de um adeus apressado e pelo gosto de um beijo que eu não deveria ter permitido. Eu me pego olhando para o teto, no escuro da madrugada, e meus dedos sobem involuntariamente aos meus lábios. Ainda sinto a pressão da boca do Rafael, a urgência desesperada com que ele me segurou, como se eu fosse a única coisa sólida em um mundo que estava desmoronando para ele.Eu não deveria ter retribuído. Cada fibra da minha razão gritava para eu empurrá-lo, para lembrá-lo da humilhação, das fotos, da Melissa. Mas, naquele momento, sob a luz da lua que filtrava pela janela, eu não era a mulher ferida; eu era apenas Lorena, entregue ao cheiro de terra e sândalo dele, ao calor que só o corpo dele sabe despertar no meu.Um choro fino, agudo e diferente de qualquer outro que eu já tivesse ouvido, me arrancou dos meus pensamentos.Sentei-me na cama de um salto. Vitória.Fui até o bercinho, sentindo o piso de
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