O dia amanheceu diferente. Sem a presença sufocante da ex-namorada de Lorenzo, a mansão parecia respirar. Lorenzo saiu cedo, como sempre, deixando um rastro de silêncio e ordens ríspidas, mas eu decidi que Lara não passaria mais um dia trancada naquele "museu" de vidro.— Vamos fazer uma cabana? — perguntei, abrindo um sorriso cúmplice para ela.Lara inclinou a cabeça, curiosa. Em poucas horas, o quarto impecável de tapetes caros estava transformado. Usei lençóis de linho egípcio, prendi as pontas em poltronas pesadas e espalhei todas as almofadas que encontrei. Trouxe lanternas, biscoitos que eu mesma assei e livros de contos de fadas.Pela primeira vez, ouvi a risada de Lara. Não era um som alto, mas era cristalino, como o degelo de uma montanha. Brincamos de esconde-esconde nos corredores proibidos, correndo com as meias deslizando no mármore. Eu fazia cócegas nela, e Lara, em troca, tentava "pintar" meu rosto com um batom velho que ela achou.Eu me sentia jovem. Eu não era a vítim
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