O silêncio que se instalou no apartamento após o último suspiro de Julian era denso, quase sólido. Helena permanecia de pé, observando o rastro de destruição sobre os lençóis de cetim. Ela não sentia o tremor da adrenalina ou o peso do remorso; sentia apenas uma clareza gelada, a mesma que um cirurgião experimenta ao remover um tecido morto. Julian fora seu mentor, seu salvador e, finalmente, seu carcereiro. Ao degolá-lo, ela não apenas eliminara um obstáculo, mas reivindicara para si a herança de sangue que ele pretendia gerenciar à distância.Ela não se deu ao trabalho de se limpar. O sangue de Julian, ainda quente e exalando aquele cheiro metálico inconfundível, manchava a renda negra de sua lingerie francesa, criando desenhos macabros que pareciam flores de ébano desabrochando sobre sua pele pálida. O fluido escorrera por seu ventre, manchando o porta-meias e as rendas superiores de suas meias 7/8, colando a seda à sua carne. Para Helena, aquele sangue era uma unção. Ela caminhou
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