Eu me levanto e endireito a postura, respiro fundo e me preparo para conhecer o patrão. Estou de pé, ao lado da mesa da cozinha, ouvindo os passos na varanda.Os passos chegam. Eles são firmes, decididos, e param na porta da cozinha. Levanto os olhos. O homem ocupa o espaço sem esforço. É alto — quase um metro e noventa, imagino — largo de ombros, postura rígida. Usa chapéu, que projeta sombra sobre parte do rosto; sua pele é parda, e os cabelos escuros. Usa calça jeans gasta e camisa xadrez de mangas longas. Não sorri. Não parece curioso. Apenas observa, como se eu fosse um objeto fora do lugar.Logo atrás dele está Mundico, o chapéu de palha nas mãos, postura mais contida.— É ela? — o homem pergunta, sem tirar os olhos de mim.— É sim — Mundico responde.O patrão cruza os braços.— Mundico se enganou, moça — diz, seco. — Aqui não tem emprego.A frase cai como uma porta batida na cara.Sinto o peito afundar, mas não abaixo o olhar.— Mas Mundico disse que aqui tem uma criança...— J
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