O dia seguinte amanheceu com Chicago sob um brilho metálico e estranho, como se a cidade estivesse suspensa em uma lâmina de barbear. O céu, de um azul pálido e gélido, refletia-se nos prédios de vidro, mas a frieza habitual da metrópole parecia ter sido rompida por um calor humano febril. A cidade não falava de outra coisa. Nas bancas de jornal, em cada esquina da Michigan Avenue, a foto que eu tirei de Julian — aquele retrato cru, visceral, de um homem despojado de suas máscaras de mármore — estampava a primeira página do Tribune com a manchete em letras garrafais: "A Fundação da Verdade".Eu observava o movimento da rua pela fresta da cortina do meu novo estúdio improvisado. Era um sótão alugado às pressas, nos limites do Distrito Sul, um espaço que cheirava a madeira velha, poeira acumulada e, estranhamente, a esperança. Era um contraste absoluto com a sofisticação asséptica da Torre Vane. Aqui, as vigas eram de madeira real, rangendo sob o vento, e o chão tinha a textura das
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