Antes do tempo ser contado, antes que nomes fossem dados às coisas, antes que a noite aprendesse a ser escura... A Lua existia. Ela não era céu. Não era luz. Não era deusa como os homens entendem deuses. Ela era uma vontade. Quando a Terra ainda era jovem e a floresta respirava sem medo, a Lua observou o mundo crescer — selvagem, vasto, indomado. Viu os rios se abrirem como veias, as raízes rasgarem a pedra, os animais aprenderem a matar para sobreviver. E viu também o que viria depois. O desequilíbrio não nasceu do caos. Nasceu da ambição. Para proteger aquilo que era vivo, a Lua criou guardiões. Não homens. Não feras. Criou algo entre. Dos ossos da terra e do sopro da noite, moldou os lobos. Deu-lhes presas para defender, garras para lutar, sentidos para vigiar. Deu-lhes a floresta como lar e a Lua como guia. — Guardem, não dominem, foi a primeira lei. — Protejam, não julguem, foi a segunda. — Sirvam à vida, não ao poder, foi a última. E por um tempo, eles obedec
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