Líria ainda estava em pé no limite. Um passo atrás dela, a vila — com suas casas baixas, o cheiro de fumaça antiga, os olhares que aprenderam tarde demais a vê-la. Um passo à frente, a floresta — viva, vigilante, silenciosa demais para ser neutra. Os lobos errantes permaneciam espalhados entre as árvores, como sombras que haviam aprendido a respirar. Nenhum avançava. Nenhum recuava. Olhos atentos, corpos tensos, todos voltados para ela como se aguardassem uma ordem que não havia sido dada. O ar estava pesado. Não com ameaça imediata, mas com expectativa. Líria sentiu primeiro na pele. Um arrepio súbito, profundo, que não vinha do frio, mas de dentro. A marca em seu braço — aquela presença constante desde o desafio, desde a lua errada — ardeu de repente, como se tivesse sido tocada por algo incandescente. Ela levou a mão ao pulso, o coração disparando. — Não… — sussurrou, sem saber a quem se dirigia. Então veio. Por um instante tão breve que poderia ter sido imaginação, mas
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