A floresta não respirava. Não era silêncio comum — não aquele feito de insetos, folhas ou vento distante. Era um silêncio retido, como se tudo estivesse prendendo o fôlego ao mesmo tempo. Ayla sentiu isso antes mesmo de abrir os olhos: o peso imóvel sobre o peito, a pressão invisível contra a pele, o eco surdo dentro da cabeça. O chamado ainda estava ali. Mas diferente. Não puxava. Não implorava. Esperava. Ela se ergueu devagar, o corpo dolorido como se tivesse atravessado uma noite inteira em vigília. A marca em sua clavícula ardia sob o tecido rasgado da camisa. Não queimava — pulsava. Um compasso lento, constante, que não obedecia ao ritmo do próprio coração. À sua frente, entre as árvores antigas, ele permanecia. O lobo. Não se movera desde a noite anterior. Estava deitado sobre as patas dianteiras, o corpo enorme parcialmente envolto pela névoa baixa que rastejava pelo chão. Os olhos, porém, estavam abertos. Fixos nela. Não vigilantes. Não ameaçadores. Cientes. — Você
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