O ateliê é silencioso de um jeito quase reverente. As paredes claras, os espelhos altos, a luz suave entrando pelas janelas enormes. Tecidos pendem como nuvens ao meu redor: renda, seda, tule, organza. Cada vestido parece carregar uma promessa diferente. Eu passo os dedos por um deles, sentindo a textura delicada sob a pele. Nunca pensei muito nesse momento. Casamento, vestido, escolhas… tudo sempre pareceu distante demais da vida que eu levava. Mas agora estou aqui. E isso é real. A costureira me ajuda a vestir um modelo de mangas longas, renda delicada cobrindo meus braços, o decote discreto, a saia caindo com leveza até o chão. Quando me olho no espelho, prendo a respiração. Sou eu. Mas uma versão que parece mais inteira. Dou alguns passos, observando como o tecido se move comigo. Não é exagerado, não é simples demais. É… sereno. Forte. Como se o vestido não estivesse tentando me esconder, mas me acompanhar. — Ele é lindo — murmuro, mais para mim do que para qualquer outra pe
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