Afasto o celular da orelha e olho para a tela, piscando duas vezes, ainda tentando me situar. Lá já era madrugada, enquanto aqui ainda eram sete da noite. O fuso sempre me pegava desprevenida, principalmente quando eu me deixava levar pelo impulso, como se Joyce estivesse logo ali, no quarto ao lado, e não do outro lado de um país. Solto um suspiro curto, controlando o tom antes de voltar a falar. — Me desculpe… eu esqueci totalmente do fuso. Você está com alguém? Posso ligar depois, se estiver atrapalhando… Do outro lado, antes mesmo de Joyce responder, eu ouço uma risada masculina no fundo. Baixa, satisfeita, como se estivesse se divertindo com a cena. Meu instinto reage na hora. Eu arqueio a sobrancelha, e um sorriso quase debochado puxa meu canto da boca. Eu nem precisava perguntar. Joyce solta um som de indignação fingida, como se eu tivesse cometido um crime ao interromper a noite dela. — Não dá uma de sonsa, Ema. Você sabe muito bem que o Felipe está aqui em casa. Mas já
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