Ponto de Vista: Maya
A rotina em Porto do Silêncio tinha ganhado um novo compasso. Entre as planilhas da pousada e a supervisão da casa de pedra do Leo, eu encontrava tempo para mim. A academia na cidade vizinha tinha se tornado meu refúgio matinal. Eu gostava do esforço, de sentir meus músculos respondendo, de ver a Maya que eu tinha escondido por tanto tempo emergir com ombros mais largos e um olhar mais firme.
Foi numa dessas manhãs, enquanto eu terminava uma série no leg press, que senti uma sombra se aproximar.
— Você treina com uma disciplina impressionante. Nunca te vi por aqui antes desse mês — disse um homem, aparentando uns trinta e poucos anos, encostado no aparelho ao lado. Ele tinha um sorriso treinado e um olhar que me percorria sem muita cerimônia.
Eu desci do aparelho, pegando minha garrafa de água e a toalha. O antigo "eu" teria baixado a cabeça e saído correndo. A Maya de agora apenas sustentou o olhar.
— Sou de Porto do Silêncio. Comecei há pouco tempo — respondi, e