Ponto de Vista: Leonardo
O dia amanheceu com o celular queimando na minha mesa de cabeceira. Antes mesmo de eu abrir os olhos e sentir o calor da Maya ao meu lado, as notificações já gritavam. A foto do festival tinha viralizado. Era o preço de ser quem eu sou: um momento de entrega genuína em um palco de madeira vira manchete em segundos.
Levantei-me em silêncio para não acordá-la e fui para a varanda. Liguei direto para o Marcos.
— Marcos, eu não quero equipe de reportagem aqui. Não quero helicóptero, não quero drone e, principalmente, não quero o nome da vila em lugar nenhum. Resolve isso. Usa o crédito que a gente tem. Diz que se respeitarem meu refúgio, eu dou uma exclusiva no final da turnê internacional. Se não respeitarem, eu nunca mais dou entrevista pra ninguém.
O Marcos sabia que eu não estava brincando. Em Porto do Silêncio, eu não era o produto; eu era o homem. Ele se mexeu rápido, e o pacto de silêncio da vila fez o resto. Os pescadores eram meus seguranças naturais, e a