Ponto de Vista: Maya
O Festival dos Pescadores em Porto do Silêncio sempre foi o meu momento favorito do ano, mas este tinha um brilho diferente. O pedido do Leo ainda reverberava em mim, como um acorde de piano que se recusa a sumir. Eu aceitei, é claro. E o "sim" parecia ter tirado um peso das minhas costas, ao mesmo tempo que colocava um frio na barriga delicioso sobre a nova fase que começava.
A vila estava em polvorosa. Bandeirinhas coloridas cruzavam as ruelas, o cheiro de peixe frito e coentro dominava o ar, e o Seu Zé corria de um lado para o outro. O Leo, cumprindo o que prometeu, mergulhou de cabeça. Ver o homem que arrastava multidões em estádios carregando caixas de som para o pequeno palco de madeira da praça, suado e rindo com o Tião, era uma visão que eu nunca ia esquecer.
— Maya, esse seu rapaz tem braço forte e ouvido bom! — o Seu Zé comentou, limpando o suor da testa. — Ele ajeitou o som que nem o rádio da capital.
Mas o ápice foi à noite.
O plano era o Leo apenas aj