Ponto de Vista: Leonardo
O barulho do motor do jatinho finalmente cessou, substituído pelo zumbido dos grilos e pelo rugido familiar do mar de Porto do Silêncio. Quando desci do carro em frente à casa de pedra, a exaustão de Manaus — o calor, os gritos de milhares de pessoas, a adrenalina da última música — pareceu evaporar. Eu estava moído, com os ombros pesados, mas assim que vi a Maya na porta, cada célula do meu corpo despertou.
Eu a abracei com a força de quem estava à deriva e finalmente tocava a areia. O cheiro dela era o meu norte. Entramos na casa e eu parei, olhando ao redor.
— Você fez milagre aqui, Maya — eu disse, passando a mão pelos móveis que ela tinha ajudado a escolher, vendo os discos organizados, as plantas que davam vida aos cantos de pedra e o estúdio impecável. — Não parece mais uma construção. Parece um lar.
Ela sorriu, orgulhosa do que tinha construído enquanto eu estava fora.
— Fico feliz que gostou, Leo. Mas ó, não vai dar tempo de você só ficar de perna pro