Cinco Anos DepoisO sol da manhã entrava pelas janelas da mansão como se tivesse pressa de começar o dia. As cortinas de linho claro balançavam com o vento suave, deixando entrar a luz dourada que pintava os móveis de madeira, os quadros nas paredes, os tapetes felpudos.A casa estava viva.Não era mais aquela mansão silenciosa e vazia dos tempos de Helen. Agora havia risadas vindas da cozinha, passos correndo pelo corredor, o barulho de talheres na mesa do café. Havia cheiro de pão fresco, de café passado na hora, de flores recém-cortadas do jardim.Havia vida.Acordei com o calor do corpo de Dante ao meu lado. Ele ainda dormia, o rosto tranquilo, os cabelos escuros agora com alguns fios grisalhos nas têmporas. A barba por fazer, os lábios entreabertos. Ele parecia mais jovem quando dormia. Parecia em paz.Passei os dedos pelos seus cabelos, devagar, para não acordá-lo. Ele resmungou algo ininteligível, puxou o travesseiro e me puxou para perto.— Bom dia, — ele murmurou, a voz rouca
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