Os dias depois do enterro foram feitos de silêncio.Não o silêncio vazio de antes, mas um silêncio cheio. Cheio de lembranças. Cheio de ausências. Cheio de um peso que não sabíamos como carregar.Minha mãe passava as manhãs na varanda, tricotando, os olhos perdidos no horizonte. A vovó rezava o terço, os dedos percorrendo as contas de madeira com uma cadência que se tornou o relógio da casa. Marcy e André vinham todos os dias, traziam comida, traziam flores, traziam presença. Eva perguntava pelo Thiago, e nós inventávamos respostas que cabiam no coração de uma criança.Dante não me deixava sozinha.Ele acordava antes de mim, preparava café, deixava um bilhete na mesa de cabeceira. Durante o dia, me enviava mensagens — fotos de Eva, do jardim, do céu. À noite, me abraçava e não perguntava nada. Apenas ficava ali, presente, firme, como uma âncora.— Você vai voltar a sorrir? — ele perguntou, numa dessas noites.— Vou.— Quando?— Não sei. — Deitei a cabeça no peito dele. — Mas vou.Ele
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