THIAGO A morte não é um escuro infinito.É um silêncio.Um silêncio que começa nos dedos dos pés e sobe devagar, como água fria enchendo um copo. Primeiro, a gente perde a força nas pernas. Depois, a sensibilidade nas mãos. Depois, a vontade de comer. Depois, o medo.No final, só resta o silêncio.E a certeza.Eu sempre soube que chegaria aqui. Não o momento exato, não a data, não a causa. Mas sabia que, depois de tudo o que vivi, depois de todas as escolhas erradas, depois de todos os anos perdidos, o fim chegaria antes do que eu gostaria.Agora, está aqui.O quarto do hospital cheira a flores murchas e antisséptico. As cortinas estão abertas, deixando ver o céu lá fora — um céu azul, limpo, indiferente à minha partida. Os pássaros cantam. A vida segue.E eu, Thiago Magnelith, deitado nesta cama que não é minha, neste corpo que já não me obedece, espero.Espero por elas.A porta range. Passos leves. O perfume que eu reconheceria em qualquer lugar.Inês.Ela está ali. Os cabelos gris
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