As Regras Que Salvam e Condenam

Gustavo sempre acreditara que o homem que sobrevive aprende a criar regras. Não leis — leis podiam ser quebradas. Regras eram internas, rígidas, inegociáveis. Foram elas que o mantiveram de pé quando tudo ao redor parecia ruir.

Naquela manhã, acordou antes do sol. O apartamento ainda estava mergulhado em sombras quando ele se levantou, caminhando descalço até a janela. Observou a cidade acordar lentamente, como fazia em dias em que a mente se recusava a silenciar.

Havia passado a noite inteira pensando em Marye.

Isso, por si só, já era um problema.

Ele se lembrava com nitidez do início da própria história. Não nascera poderoso. Construiu-se. Viera de um ambiente onde nada era garantido — nem afeto, nem segurança. Aprendera cedo que depender dos outros era um risco que custava caro. A disciplina o salvou. O controle, também.

Quando perdeu alguém que amava anos atrás — uma mulher que não soubera esperar o tempo que ele precisava — decidiu que nunca mais permitiria que sentimentos conduz
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