Gustavo aprendera cedo que poder não se anunciava. Ele se reconhecia. Crescera em ambientes onde homens falavam alto para esconder fraquezas e exibiam riqueza para disfarçar medo. Observando tudo aquilo, decidiu trilhar o caminho oposto: silêncio, presença, controle.
Aos quarenta e poucos anos, carregava no corpo as marcas de disciplina rigorosa e, na mente, cicatrizes que jamais se apagariam. O abdômen definido, resultado de anos de treino quase obsessivo, contrastava com a serenidade aparente de quem parecia sempre no domínio da situação. Mas por trás daquele controle havia perdas — e escolhas que nunca poderiam ser desfeitas.
Naquela manhã, Gustavo treinava sozinho no terraço do prédio onde morava. O sol de Los Angeles ainda tímido iluminava o espaço enquanto ele executava os movimentos com precisão quase matemática. Cada repetição era uma forma de manter a mente alinhada. O corpo obedecia; a mente precisava acompanhar.
Ainda assim, entre uma série e outra, o pensamento insistia em