Augusto Vilar O brilho de São Paulo sempre me pareceu uma rede de circuitos integrados, uma pulsação elétrica que monetiza a lógica fria de um processador. Mas, ao cruzarmos o limite da cidade naquela noite, vindo do silêncio sepulcral do interior, a metrópole parecia diferente. O ar não estava apenas carregado de poluição e pressa; ele trazia o peso do alívio. Ao meu lado, Sabrina dormia com a cabeça encostada no vidro, uma expressão de serenidade que eu raramente via. O "ouro" que ela carregava por dentro, aquele brilho que os monstros tentaram apagar, estava finalmente livre das cinzas do passado.Eu, o "Robô", o executor, o homem que calibra a vida por códigos e leis, sentia algo novo no peito: uma expansão térmica que a física não explicaria. Tínhamos feito o que precisava ser feito. A genitora e o parasita estavam entregues ao sistema; o pai dela tinha recebido as flores e a promessa de que sua filha estava segura. Agora, o meu único objetivo era a manutenção desse estado de pa
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