Encontraram-se no meio da estrada, o sol baixando no horizonte tingindo tudo de dourado. Os capatazes, discretos, mantinham distância, atentos, mas respeitando a intimidade do patrão. Don Diego saltou do cavalo com a segurança de quem sabe exatamente o que quer e se aproximou de Julia. Com um gesto firme, mas cuidadoso, acalmou a montaria antes de ajudá-la a descer, segurando-a pela cintura de maneira que fez o corpo dela se aproximar do dele por um instante que pareceu durar uma eternidade. — Julia... — murmurou, quase um sussurro, a voz carregada de desejo contido. Ela sentiu um arrepio e não conseguiu esconder o sorriso que se abriu lentamente, tímido e atrevido ao mesmo tempo. Os olhos deles se encontraram e, sem palavras, reconheceram a mesma chama, a mesma ansiedade contida. — O que veio fazer aqui? — perguntou ela, tentando manter a compostura, embora o coração acelerasse. — É, digamos... um pretexto — disse ele, a voz rouca, cada sílaba carregada de intenção —, mas a verdad
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