A casa estava em silêncio naquela tarde pesada, um silêncio diferente, desconfiado, como se ainda não tivesse se acostumado com a presença de Pedro fora das grades. O rangido do assoalho denunciava cada passo dele, e isso o irritava. Tudo parecia denunciar que ele não pertencia mais ali, nem à casa, nem à família, nem ao tempo que havia passado sem ele. Pedro estava sentado à mesa da cozinha, as mãos grandes apoiadas na madeira gasta, os olhos perdidos em algum ponto invisível. À sua frente, uma cuia de mate esfriava sem ser tocada. O rosto carregava marcas que não vinham apenas da prisão, mas de algo mais profundo: culpa, ódio e um luto que nunca cicatrizou. Stephanie observava o marido à distância, tentando entender aquele homem que havia voltado. Ele estava ali fisicamente, mas havia algo quebrado que ela não sabia como alcançar. Os filhos já eram jovens, estudando na Capital, Luiz Henrique e Ana Clara. Quando o som de cascos se aproximou do pátio, Pedro ergueu o olhar num
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