A primavera chegou à fazenda como uma promessa cumprida. Os campos se cobriram de cores, e as flores regionais surgiram com força — o amarelo vivo das marcelas, o lilás delicado das corticeiras em flor, pequenas flores brancas que brotavam entre a relva como se o chão respirasse esperança. O ar tornara-se mais leve, perfumado, e os dias se alongavam em luz.
Mas em María Júlia, nada florescia.
O noivado havia se concretizado. As palavras foram ditas, os acordos selados, e agora o futuro lhe pesava como um destino imposto. Embora tudo ao redor celebrasse a renovação, ela carregava no peito uma tristeza funda, silenciosa, que não encontrava espaço para existir.
No pescoço, escondida sob o tecido simples do vestido, repousava a joia de Don Fernando. O pequeno coração de pedra era sua âncora e sua tormenta. Ela o tocava quase sem perceber, como quem confirma que algo verdadeiro ainda pulsa.
Certo dia, Pedro notou o brilho discreto quando o sol tocou-lhe o colo.
— Essa pedra… — disse,