O silêncio entre mim e meu marido já não era apenas desconfortável. Era estratégico. Cada palavra não dita carregava uma ameaça implícita, como se estivéssemos jogando uma partida em que ambos fingiam não conhecer as regras, mas sabiam exatamente o que perderiam ao final.
Na manhã seguinte, ele não perguntou para onde eu iria. Apenas avisou.
— Hoje eu te busco na aula.
A frase soou simples demais para ser inofensiva.
— Não precisa — respondi, calçando os sapatos com calma. — Vou resolver umas c