Natan acordou com o telefone vibrando. Não foi um despertar brusco. O som veio de longe, atravessando o sono aos poucos, até empurrá-lo para a superfície. Ele permaneceu imóvel por alguns segundos, respirando devagar, sentindo primeiro o peso do próprio corpo, o calor ao redor, antes mesmo de tentar se situar. Só então, com os olhos ainda fechados, percebeu: ainda era madrugada. A casa permanecia em silêncio. Havia um peso morno sobre o peito dele. Ela ainda estava ali. Ana não tinha ido embora durante a madrugada, como costumava fazer. O corpo dela, quente e real ao lado do dele, tornava esse fato impossível de ignorar. O braço apoiado sobre ele, a respiração profunda, solta, algo raro nela. Esse detalhe chamou mais atenção do que o telefone. A vibração cessou. E voltou quase imediatamente. Natan deslizou o braço com cuidado extremo, saindo do encaixe devagar, como se qualquer movimento mais brusco pudesse quebrar aquele estado frágil. Ana se mexeu levemente, murmurou algo i
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