Naquelas semanas, tudo parecia perigosamente certo. Não havia mais a sensação de caminhar sobre algo frágil, nem o cuidado excessivo de medir cada palavra, cada gesto. Eles tinham parado de disputar espaço. Sem perceber exatamente quando, encontraram um tipo de acordo silencioso, não aquele desenhado na mesa do jantar, mas outro, muito mais orgânico, construído no corpo, na repetição e na rotina. Ana vinha quase todas as noites. Não havia convites formais nem mensagens anunciando chegada. Simplesmente acontecia. Ela voltava da faculdade, tomava um banho rápido, deixava a bolsa em qualquer lugar e, pouco tempo depois, estava no quarto dele. Às vezes conversavam pouco. Às vezes não conversavam nada. Havia noites de risos baixos, comentários banais, coisas pequenas demais para importar. Outras em que apenas se deitavam lado a lado, compartilhando o cansaço como quem divide um segredo que não precisa ser explicado. E era estranho o quanto aquilo tinha se tornado fácil. Natan não s
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