A lua cheia subiu lenta no céu, como se soubesse exatamente o que despertava quando alcançava o ponto mais alto.Ella sentiu o chamado antes mesmo de admitir para si mesma. Passara o dia inteiro tentando se ocupar — treinou com a alcateia, ouviu conselhos que já conhecia de cor, respondeu perguntas que nunca eram, de fato, perguntas. Tudo para não pensar. Tudo para não sentir.Foi inútil.Quando a noite caiu e a lua começou a brilhar com força incomum, seu lobo interior se agitou, inquieto, insistente. Não era ansiedade. Era reconhecimento. Um puxão invisível que a conduzia para longe das cabanas, longe dos olhos atentos, de volta ao único lugar onde tudo começara.A clareira.Ella respirou fundo antes de atravessar os limites do território novamente. Sabia exatamente o risco que corria. Se fosse descoberta ali, sozinha, sob a lua cheia, teria de responder não apenas como filha… mas como promessa da alcateia.Ainda assim, seus passos não hesitaram.A floresta parecia diferente naquela
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