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CAPÍTULO 7 — O PERIGO DE UM TOQUE

Ella não planejou voltar à floresta no fim do dia — mas quando percebeu, já estava lá.

O céu começava a escurecer, pintado por um tom azul profundo que anunciava a chegada da noite. O ar estava mais denso, mais elétrico, como se tudo que acontecera entre ela e Liam tivesse ficado preso no vento.

E então ela o sentiu.

O cheiro dele.

Quente. Perigoso.

Familiar demais.

Ella não chamou por ele.

Não precisava.

Ele surgiu alguns metros à frente, encostado em uma árvore, os braços cruzados, o olhar dourado brilhando como fogo prestes a escapar do controle.

— Você gosta de brincar com o perigo, né? — Liam disse, a voz baixa, carregada demais. — Porra, Ella… eu tentei ficar longe.

Ella deu um passo.

Depois outro.

Como se cada movimento fosse uma escolha consciente de entrar em algo que não tinha volta.

— E falhou — ela respondeu, sentindo a respiração acelerar. — Assim como eu.

Liam soltou um riso curto, sem humor.

— Não chega perto.

— Por quê?

Ele apertou a mandíbula.

— Porque eu não vou conseguir parar.

Ella sentiu o corpo reagir antes da mente.

Um calor queima, sobe, domina.

— Então não pare.

Aquilo foi o estopim.

Liam se desprendeu da árvore como se tivesse sido puxado por um instinto mais forte que ele. A forma como caminhou até ela não tinha hesitação, não tinha dúvida — tinha fome contida por noites demais.

Quando chegou perto, Ella quase perdeu o ar.

O corpo dele irradiava calor.

O cheiro dele a envolvia inteira.

E o olhar… intenso demais para fingir qualquer controle.

— Você não faz ideia do que está pedindo — Liam murmurou, encostando a testa na dela.

— Faço, sim.

Liam deslizou a mão pelo rosto dela, devagar, como se lutasse contra a própria força. O polegar roçou sua boca, e Ella sentiu o estômago tremer como se estivesse despencando.

— É errado, Ella. — Ele respirou fundo. — É tão errado que chega a doer.

— Então por que você está aqui?

— Porque eu sou um idiota — ele rosnou, baixinho. — Porque você mexe comigo de um jeito que eu não sei lidar. Porque eu penso em você quando não deveria. Porque eu quero você quando não posso.

Ella aproximou ainda mais o corpo, o peito quase tocando o dele.

Liam prendeu a respiração.

— E eu quero você — ela confessou, sentindo o próprio coração martelar no peito. — Mesmo sabendo que tudo isso pode dar muito errado.

O olhar dele desceu para a boca dela, lento, como se estivesse cometendo um pecado só de olhar.

— Caralho, Ella… — ele sussurrou. — Você vai me destruir.

E então ele tocou nela.

A mão grande segurou sua cintura com firmeza, puxando-a contra ele. O choque de corpos arrancou um suspiro que Ella não conseguiu controlar. A proximidade acendeu algo dentro dela que nunca tinha sentido — algo quente, urgente, impossível de ignorar.

Liam roçou o nariz no pescoço dela, respirando fundo.

Ella estremeceu inteira.

— Você cheira a problema. — ele murmurou contra a pele dela.

— E você… — Ella deslizou a mão pelo ombro dele, sentindo a tensão, as cicatrizes, a força. — cheira a tentação.

Liam fechou os olhos, como se estivesse segurando o último fio de controle.

— Se eu te tocar mais do que isso… — ele avisou, a voz rouca. — Eu não vou conseguir ser suave.

Ella segurou o rosto dele entre as mãos, obrigando-o a olhar para ela.

— Eu não quero suave.

O ar entre eles se partiu.

Liam segurou sua nuca e colou o corpo no dela com força suficiente para deixá-la sem fôlego — mas não a ponto de machucar. Só o bastante para deixar claro o quanto ele estava se segurando.

O abraço foi quente.

Urgente.

Errado.

E perfeito.

Ele aproximou a boca da dela…

A centímetros.

Quase tocando.

Ella sentiu o calor.

O desejo.

O perigo.

Mas antes que os lábios se encontrassem, Liam virou o rosto para o lado, respirando fundo como um homem à beira de perder o controle.

— Não posso — ele sussurrou, a voz tremendo de esforço. — Se eu te beijar agora… não vai parar no beijo.

Ella encostou os lábios na bochecha dele, leve, quente, provocante.

— Eu não quero que pare.

Liam soltou um gemido baixo.

Perigoso.

Primordial.

E então deu um passo para trás, como se fosse a única maneira de não fazer exatamente aquilo que os dois queriam.

— Vai embora, Ella — ele disse, mas sua voz estava quebrada. — Antes que eu foda tudo. Literalmente.

Ella o encarou.

Respiração acelerada.

Coração em chamas.

Liam estava lutando contra o instinto.

Contra o desejo.

Contra ela.

E estava perdendo.

Os dois estavam.

Mas a noite ainda tinha muitos capítulos pela frente.

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