Vincenza Vitorino A mesa estava posta sob o caramanchão de glicínias, cujas flores caíam em cascatas lilases, perfumando o ar quente da tarde toscana. O sol de domingo começava a declinar, lançando sombras longas e douradas sobre as garrafas de vinho Brunello e os pratos de cerâmica pintados à mão, agora vazios após um banquete que parecia ter durado uma eternidade. Aquele era o som da minha família: o tilintar de talheres, o riso alto que desafiava a paz das colinas e a cadência de vozes que, embora estivessem em um momento de lazer, carregavam o peso de séculos de poder e sangue.Eu observava cada um deles com uma clareza que só a maternidade — mesmo que ainda oculta — parece proporcionar. À minha esquerda, meu pai, Rocco Mancini. O leão estava em repouso, mas seus olhos nunca deixavam de mapear o ambiente. Ao seu lado, Scarlett, minha mãe, a elegância personificada, segurando o copo de vinho com uma delicadeza que mascarava a firmeza de quem governou ao lado de um império por déca
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